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Política

17/04/2017 14:21

Delação revela a origem de dinheiro de escândalo em Mato Grosso

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO
 

A delação do executivo Luiz Eduardo Soares, que atuou no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht - classificado pela Lava Jato como um departamento de propinas da construtora -, colocou fim a um mistério que durava 11 anos: a origem de R$ 1,7 milhão que iria ser usado na compra de um dossiê contra candidatos tucanos na eleição de 2006.

O episódio, que aconteceu em Cuiabá e São Paulo, ficou conhecido como “escândalo dos aloprados” – como foi batizado pelo ex-presidente Lula (PT) depois que o esquema foi descoberto pela Polícia Federal.

O dinheiro foi levantado, segundo o delator, em um esquema montado entre a Odebrecht e a Cervejaria Itaipava.

Parte do processo correu na Vara Criminal de Mato Grosso. Isso porque, conforme denúncia, o dossiê foi oferecido por Luiz Antônio Trevisan e Darci José Vedoin, proprietários da empresa Planam, com sede em Cuiabá, acusada de chefiar o superfaturamento da compra de ambulâncias no caso conhecido como "Máfia das Sanguessugas".  

Uma pessoa ligada a Trevisan negociava com o petista Valdebran Padilha a venda do dossiê, que atribuía ao então candidato ao Governo de São Paulo, José Serra, ligação com a Máfia das Sanguessugas durante sua gestão como ministro da Saúde.

Padilha era empresário e havia sido tesoureiro da campanha do petista Alexandre César à Prefeitura de Cuiabá em 2004. Ele foi detido com US$ 109.800 e mais R$ 758 mil em dinheiro.

No episódio também foi preso Gedimar Passos, com US$ 139 mil e mais de R$ 400 mil em dinheiro. Gedimar havia sido agente da PF e se apresentava como advogado do PT. 

Os dois foram detidos em um hotel de São Paulo, onde a negociação seria concluída.

O esquema

Segundo Soares, a Itaipava tinha muito dinheiro vivo no Brasil porque seus distribuidores recebiam em espécie pela venda de bebidas a bares e restaurantes. E procurava um meio de obter dólares. A Odebrecht, por sua vez, necessitava de dinheiro vivo para pagamentos ilícitos no Brasil. Em razão disso, as duas empresas se uniram.

Um dos maços de dinheiro apreendidos pela Polícia Federal estava embalado num invólucro com o nome de uma distribuidora de bebidas ligada à Itaipava. A pista sobre a origem do dinheiro teria “causado pânico” na campanha petista.

"Nós fomos tomados de surpresa na operação dos 'aloprados'. O Júnior [Benedicto Júnior, ex-diretor de Infraestrutura da empreiteira] me ligou logo depois da operação dizendo que tinha dado um grande problema, que precisava de minha ajuda, e marcamos uma reunião no comitê de campanha do Partido dos Trabalhadores em São Paulo", disse. "Foi no primeiro sábado após o 'escândalo dos aloprados'".

"Nós chegamos lá e eu tive a surpresa de que está lá, além do Benedicto Júnior, o senhor Walter Faria [dono da Itaipava]. Tivemos uma reunião com o José de Filippi [tesoureiro da campanha de Lula]. E como nós tínhamos essa operação [entre Odebrecht e Itaipava] que já tinha começado de troca de reais por dólar, eles estavam com medo, porque descobriram que tinha uma parte desse dinheiro que estava com timbre da Leyroz de Caxias [distribuidora da Itaipava]. Aí isso mostrava que era da cervejaria Itaipava", relatou Soares.

Segundo ele, o próprio dono da Itaipava cuidou do dinheiro repassado ao PT e esqueceu um envelope com o nome da distribuidora. "Aí o senhor Walter falou ‘eu até rio, me dá vontade de rir um pouco’, que ele mesmo estava tirando e esqueceu de um pacotinho, de tirar os invólucros. Nós não sabíamos disso. O Júnior me chamou, porque como eu estava trabalhando com ele nessa parte de troca de reais por dólar, perguntando se o dinheiro era nosso. Não era nosso. O senhor Walter falou: 'Não, eu dei o dinheiro para o José de Filippi e ele se comprometeu até em assumir'", disse o delator.

"Aí a coisa morreu, arrefeceu, ninguém nunca soube de onde era o dinheiro", disse.

A venda

Conforme a denúncia, consta que os Vedoin convidaram Valdebran para ir à Polinter, onde estavam presos por envolvimento nas fraudes da Saúde.

No encontro, eles ofereceram ao militante as informações que seriam de interesse do PT e especularam sobre a existência do dinheiro, com membros do partido, para a compra dos documentos.

Conforme os procuradores, o assunto foi delegado ao então chefe do setor de inteligência da campanha do PT, Jorge Lorenzetti, que encarregou Gedimar Passos e Expedito Afonso Veloso de analisar os documentos em Cuiabá.

Ainda segundo a denúncia, Lorenzetti foi o principal responsável por angariar recursos para os Vedoin em troca de informações. Outro membro do PT, Osvaldo Martines Bargas, também participou de negociações em Cuiabá. Também participou do esquema Hamilton Broglia Feitosa de Lacerda, que era coordenador da campanha do candidato petista ao Governo paulista à época, Aloizio Mercadante.

Em dezembro de 2006, a Polícia Federal de Cuiabá concluiu a investigação com vários indiciamentos. Mas o inquérito, conduzido pelo então delegado Diógenes Curado Filho - que depois viria a ser secretário de Estado de Segurança -, deixou claro que não havia sido possível rastrear a origem do dinheiro.

Na Justiça

Em 2013, o processo foi deslocado de Mato Grosso para São Paulo por decisão do Tribunal Regional Federal, que entendeu que, como o dinheiro havia sido apreendido em São Paulo, era lá que o caso deveria correr.

 

Em 2015, a juíza federal paulista Fabiana Alves Rodrigues rejeitou a acusação contra os acusados do esquema. Ela reconheceu inépcia da denúncia da Procuradoria da República que imputava crimes do colarinho branco, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha ao grupo.

 

A juíza decretou a nulidade de todos os atos da Sétima Vara Criminal Federal de Cuiabá.


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