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10/04/2017 18:32

Amigo de estudante contesta PM e diz que não foi "bala perdida"

KARINA CABRAL
DA REDAÇÃO
 

A versão da PM para a morte do estudante Renan Luna, de 22 anos, assassinado com um tiro na cabeça no último domingo (9), em uma festa em Nova Xavantina (645 km a Leste de Cuiabá), está sendo contestada por amigos que testemunharam o crime.

As primeiras informações dão conta de que o jovem teria sido vítima de uma bala perdida, durante uma troca de tiros entre um major da Polícia Militar e supostos usuários de droga.

O melhor amigo dele, no entanto, diz que o jovem foi morto com um tiro à queima-roupa.

Renan não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do crime.

O major envolvido no episódio é Fabiano Roosevelth Escolástico, comandante do batalhão da PM na cidade.

Em sua versão, ele conta que trocou tiros com suspeitos de uso de drogas e que, neste tiroteio, Renan teria sido atingido por uma bala perdida.

O major se apresentou à Polícia Civil ainda na noite de domingo. Em entrevista ao site NX1, de Nova Xavantina, ele contou que estava na festa com a esposa, quando teria se sentido ameaçado por usuários de droga e sacou sua arma.

Em determinado momento, ele teria dado dois tiros no chão, apenas para intimidar o grupo e poder sair da festa. Neste momento, diz ter ouvido um disparo em sua direção.

Ainda conforme seu relato, o tiro que acertou Renan teria sido feito pela arma dos outros envolvidos, uma vez que só teria atirado em direção ao chão.

Porém, ao MidiaNews, o melhor amigo de Renan, Mauri Júnior Machado, de 22 anos, que estava com o rapaz no momento do crime, afirma que o jovem não foi vítima de bala perdida.

“Foi somente um tiro no Renan. A polícia está dizendo que foi troca de tiro. Não foi troca de tiro”, disse.

Mauri estava com Renan e mais três amigas no momento do homicídio. Ele conta que o grupo ouviu um tiro cerca de 30 minutos antes da morte de Renan, mas que não havia acontecido troca de disparos.

“[O assassino] Atirou direto no Renan, tanto é que a cápsula da bala caiu em cima da massa encefálica dele”, disse Mauri, sem, no entanto, apontar o nome de ninguém.

O rapaz ainda diz que o tiro foi feito por uma “arma ponto 40 no meio da testa, de cima para baixo”.

O jovem diz que não houve discussão. Eles estavam na saída da festa a 10 metros do carro, ouviram o disparo e Renan já caiu em seus pés. Com medo, as meninas arrastaram Mauri para o canto, atrás de uma moto.

 

Segundo Mauri, Renan era extrovertido, brincava com todo mundo e tinha muitos amigos. Era estudante de engenharia elétrica em Bauru (SP) e estava em Nova Xavantina apenas para visitar o amigo, que faz faculdade de Agronomia na cidade. Segundo ele os dois eram inseparáveis.

 

“Não caiu a ficha ainda, a gente era muito próximos, onde estava um estava o outro. Ainda não estou conseguindo decifrar isso ai”, lamenta Mauri.

 

Renan é natural de Água Boa, mas morava em Bauru (SP). Ele estava na cidade a passeio com amigos.

 

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