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Esportes

11/09/2017 12:24

Entenda: negociação deve colocar Sainz na Renault e manter Alonso na McLaren

Pilotos, chefes de equipe e demais profissionais da F1 iniciaram a viagem para Cingapura, local da próxima etapa do campeonato, domingo, focados em duas questões, essencialmente: a primeira, lógico, é a disputa esportiva. Sebastian Vettel, da Ferrari, perdeu, dia 3, em Monza, a liderança do campeonato para Lewis Hamilton, da Mercedes, pela primeira no ano, diante dos torcedores italianos. Um choque.

Mas o alemão tem boas possibilidades de recuperá-la domingo no Circuito Marina Bay, na 14ª etapa do calendário. A Ferrari mostrou em Mônaco e na Hungria poder ser mais rápida que a Mercedes em pistas onde a geração de pressão aerodinâmica pesa muito no desempenho global do carro. Ganhou as duas corridas com dobradinha. Depois disso, porém, a Mercedes reviu o seu modelo W08 Hybrid por inteiro.

Outro tema que vai tomar a atenção de parte de pilotos, dirigentes e representantes de empresas investidoras na competição é o futuro da Honda na F1 e todos os imensos desdobramentos dessa história, com o envolvimento da Renault e STR, dentre outros. Isso porque o divórcio com a McLaren parece iminente. O complexo acordo avançou nos dias do GP da Itália e na semana passada, embora haja quem diga que existem pontos em aberto, ainda.

Vamos puxar juntos o fio do novelo para desatar os nós desse imbróglio todo?

 
Alonso não cansa de demonstrar sua insatisfação com o desempenho do conjunto McLaren-Honda (Foto: Getty Images)Alonso não cansa de demonstrar sua insatisfação com o desempenho do conjunto McLaren-Honda (Foto: Getty Images)

Alonso não cansa de demonstrar sua insatisfação com o desempenho do conjunto McLaren-Honda (Foto: Getty Images)

O primeiro capítulo diz respeito à profunda insatisfação dos homens da McLaren, em especial seu piloto, o bicampeão do mundo Fernando Alonso, com a performance bem abaixo do mínimo aceitável da unidade motriz (PU) fornecida pela Honda. E é coisa antiga, pois as deficiências a acompanham desde a volta da montadora japonesa a F1, em 2015. Em três temporadas o avançou foi relativamente pequeno.

 

O desgaste na relação com a Honda é tal que Alonso, Zak Brown, diretor executivo do Grupo McLaren, e Eric Boullier, diretor esportivo, não acreditam que em 2018 será diferente. Assim, a McLaren não deseja manter a parceria técnica com a Honda. Este ano, por exemplo, Alonso e seu companheiro, o belga Stoffel Vandoorne, marcaram juntos, em 13 etapas, 11 pontos. A Mercedes tem 435 e a Ferrari, 373. São diferenças inaceitáveis pela McLaren, ainda que nem toda responsabilidade deva ser atribuída a Honda.

Brown saiu no mercado, em junho, procurando um novo fornecedor da PU. Ouviu um redondo “não” da Mercedes e da Ferrari. Sobrou a Renault. Em Monza, Alain Prost, embaixador da Renault, disse aos jornalistas, onde estava o GloboEsporte.com: “Podemos fornecer nosso motor (PU) para a Toro Rosso ou a McLaren. Para as duas é impossível”. A Renault tem sua própria escuderia e trabalha com a RBR e a STR.

FIA e FOM na parada

 
Ross Brawn, diretor da FOM, quer manter a Honda na F1 (Foto: Getty Images)Ross Brawn, diretor da FOM, quer manter a Honda na F1 (Foto: Getty Images)

Ross Brawn, diretor da FOM, quer manter a Honda na F1 (Foto: Getty Images)

A essa altura, Jean Todt, presidente da FIA, e Ross Brawn, diretor da Formula One Management (FOM), entraram nas discussões. Seu objetivo é manter a Honda na F1. Seria um péssimo exemplo para outras montadoras se os japoneses, abertos a investir ainda mais no projeto com a McLaren, se vissem, literalmente, rejeitados pela F1. Eles fornecem a PU, resultando na economia de 20 milhões de euros (R$ 78 milhões) para a McLaren, e depositam na conta da equipe cerca de 70 milhões de euros (R$ 270 milhões) como contribuição no orçamento.

 

Ainda antes do GP da Bélgica, no período das férias da F1, em agosto, houve uma primeira rodada de negociações entre o diretor executivo da McLaren, Brown, o diretor esportivo da Honda, Masashi Yamamoto, o diretor da RBR, Christian Horner, e o representante do dono da RB, Helmut Marko. Brown propôs levar a PU Honda para a STR e, dessa forma, a McLaren passar a competir com a PU Renault.

As conversações pararam quando Horner e Marko exigiram da Honda as mesmas condições da McLaren: a PU de graça e o investimento dos 70 milhões de euros por ano. Yamamoto encerrou as negociações e seu diretor Yusuke Hasegawa, presente em todos os GPs, disse à imprensa, onde estava o GloboEsporte.com, no Circuito Spa-Francorchamps, na Bégica, que a Honda não se associaria a STR.

Quem paga a conta

 
Marko considera que o investimento na STR está muito alto (Foto: Getty Images)Marko considera que o investimento na STR está muito alto (Foto: Getty Images)

Marko considera que o investimento na STR está muito alto (Foto: Getty Images)

Reparou onde parou a história? Dinheiro. Marko perguntou a Brown por que a McLaren, tão interessada na PU Renault da STR, não completa o pedido da sua empresa, negado pela Honda?

Em entrevista ao GloboEsporte.com, na Bélgica também, Marko falou com todas as letras: “O investimento na Toro Rosso está muito elevado para nossa empresa”. A RB coloca perto de 60 milhões de euros (R$ 230 milhões) na STR por ano. O restante do orçamento vem da cota repassada pela FOM, 40 milhões (R$ 150 milhões), e 15 milhões (R$ 56 milhões) dos patrocinadores.

 

O Grupo McLaren já está fazendo todas as concessões para poder romper a parceria com a Honda. Vocês viram os números. Os japoneses colocam em espécie e no fornecimento da PU nada menos de 90 milhões de euros, fora o gasto para projetar, construir e desenvolver a PU. Desse total, 32 milhões (R$ 120 milhões) vão para Alonso. A McLaren não tem um patrocinador principal que lhe dê, digamos, 40 milhões de euros (R$ 150 milhões) como seria o normal na F1 para um organização como a McLaren.

Em outras palavras, o Grupo McLaren teria de buscar esse importante recurso, 90 milhões de euros, em algum lugar. E até agora, não o encontrou. Importante saber e diz respeito direto a nossa novela: em junho, Ron Dennis, sócio fundador do Grupo McLaren, com 25% de participação, vendeu sua cota para os dois outros sócios, o Grupo de Investimento Mumtalakat, do governo do Bahrein, e o Grupo TAG, do saudita Mansour Ojjeh, por 275 milhões de libras (R$ 1,1 bilhão).

Repare na quantidade de dinheiro que saiu do Grupo McLaren: 275 milhões de libras, equivalente a 300 milhões de euros. O faturamento do Grupo todo em 2016 ficou perto de 550 milhões de euros (R$ 2,1 bilhões).

A situação, agora, impõe aos grupos Mumtalakat e TAG novo investimento na McLaren Racing, uma das divisões do Grupo McLaren. E na casa de 90 milhões de euros. Apenas para 2018. É por essa razão que o departamento comercial da escuderia está no mercado tentando de todas as formas encontrar patrocinadores.

Está claro por que o acordo com a Renault e a STR não saiu antes? Não havia quem pagasse a conta. Tanto da McLaren, internamente, como a imposta pela STR para trocar a Renault pela Honda. As fontes consultadas pelo GloboEsporte.com, nos últimos dias, disseram que as partes chegaram a um acordo, ainda que nem tudo esteja sacramentado.

 

Para tudo ter dado certo, caso o desfecho seja esse mesmo, os sócios do Grupo McLaren tiveram de novo de abrir os cofres, como já haviam feito para a retirada do desafeto de ambos da sociedade, Ron Dennis.

Sainz, moeda de troca

 
Carlos Sainz Jr. está liberado das amarras com a STR (Foto: Getty Images)Carlos Sainz Jr. está liberado das amarras com a STR (Foto: Getty Images)

Carlos Sainz Jr. está liberado das amarras com a STR (Foto: Getty Images)

O talentoso piloto espanhol Carlos Sainz Júnior, de 23 anos, acabou entrando no negócio. As mesmas fontes com quem o GloboEsporte.com conversou informam que a Honda pagou a STR a liberação de Sainz Júnior. Valor estimado: 15 milhões de euros (R$ 58 milhões).

Primeiro para ajudar a viabilizar sua associação com a STR e porque libera uma vaga para um de seus pilotos, provavelmente o japonês Nobuharo Matsushita, de 23 anos, sexto colocado na F2, este ano, pela ART, restando duas etapas, quatro corridas. Ele venceu a prova do domingo em Barcelona e em Silverstone.

É possível, ainda, que a Honda tenha elevado o valor de contribuição para o orçamento da STR, ainda que continue longe dos 70 milhões de euros investidos na McLaren, bem como Horner e Marko acataram a orientação do presidente da FIA e do diretor da FOM para facilitar a permanência da Honda na F1, concordando em receber menos.

Profissionais da F1 ouvidos pelo GloboEsporte.com acreditam que este tenha sido o modelo seguido nas negociações.

 

Mas essa história está longe de concluída por conta da sua complexidade. Equacionada a questão econômica da McLaren e da STR, quem vai pilotar para quem em 2018? Alonso renovará com a McLaren, agora provavelmente equipada com uma PU que se não tem a eficiência das PUs da Mercedes e Ferrari está bem acima da disponibilizada pela Honda? Daniel Ricciardo, da RBR, venceu a etapa de Baku este ano, traçado onde a PU pesa bastante.

Para onde vai Alonso

 
F Indy atrai, mas espanhol deve permanecer na McLaren (Foto: Reprodução/Twitter)F Indy atrai, mas espanhol deve permanecer na McLaren (Foto: Reprodução/Twitter)

F Indy atrai, mas espanhol deve permanecer na McLaren (Foto: Reprodução/Twitter)

Alonso deve estar animado com o possível arranjo McLaren-Renault. Mas Brown e Boullier terão de convencê-lo de algo igualmente difícil: para viabilizar a troca da Honda pela Renault foi preciso, como mencionado, desembolsar um caminhão de dinheiro. Dessa forma, não há como lhe pagar os mesmos 32 milhões de euros dos três últimos anos.

Mas Brown e Boullier têm um trunfo. Sabem da oferta de Claire Williams e seu sócio, Paddy Lowe, da Williams, para Alonso. E que no melhor dos cenários, deslocando verba da área técnica para tê-lo, Claire e Lowe pagariam metade do que Alonso ganha hoje na McLaren. Em resumo, os diretores da McLaren têm consciência de que Alonso não tem opção.

O universo da F Indy o atrai, pela possibilidade de lutar pelos primeiros lugares. Mas lá teria de abrir mão de fato de dinheiro. Quem melhor lhe pagaria, a equipe de Michael Andretti, por exemplo, que o assistiu nas 500 Milhas de Indianápolis, este ano, colocaria no máximo 6 milhões de euros (R$ 23 milhões) na sua conta bancária, mais prêmios por conquista. Dá para ver que Alonso teria de se contentar com muito menos dinheiro caso resolva trocar a F1 pela Indy?

 

Daí a opção de aceitar a oferta da McLaren, em quem acredita como equipe, parece ser a mais viável para Alonso, mesmo recebendo menos. A transferência para a Williams implicaria, apesar do atrativo da PU Mercedes, trabalhar duro de novo para levar a escuderia ser grande, o que não se faz de um ano para o outro na F1. E Alonso está esgotado disso. Historicamente as chances de a McLaren obter melhores resultados que a Williams em 2018 são maiores, ainda que não seja uma lei, mas apenas uma tendência.

A aposta maior dentre os profissionais da F1 consultados pelo GloboEsporte.com, desde os dias da prova em Monza, é pela permanência de Alonso na McLaren, uma vez ratificado o fornecimento da PU Renault.

Como fica a STR?

 
Gasly pilotou o atual modelo da RBR no segundo dia de testes coletivos da F1, em agosto, na Hungria (Foto: Getty Images)Gasly pilotou o atual modelo da RBR no segundo dia de testes coletivos da F1, em agosto, na Hungria (Foto: Getty Images)

Gasly pilotou o atual modelo da RBR no segundo dia de testes coletivos da F1, em agosto, na Hungria (Foto: Getty Images)

São fortes os rumores aqui na Europa de que Sainz Júnior substituirá o inglês Jolyon Palmer na Renault já a partir do GP da Malásia, etapa seguinte ao de Cingapura, dia 1º. Se forem confirmados, a vaga do espanhol na STR será ocupado pelo piloto reserva Pierre Gasly, francês de 21 anos, campeão da F2 no ano passado, quando ainda se chamava GP2. Hoje ele é o vice-líder da Super Fórmula, no Japão, curiosamente competindo pela equipe da Honda, Mugen. Venceu as duas últimas etapas, em Motegi e Autópolis.

 

Gasly não encanta a direção da RB, conforme Marko deixou escapar na entrevista ao GloboEsporte.com realizada na Bélgica. Gasly, uma vez confirmado para competir na STR a partir de Sepang, terá de provar que pode ser titular em 2018. Seu desafio é maior do normal porque Marko e Horner vão pensar bem antes de colocá-lo na STR na próxima temporada ao lado de um estreante também, Matsushita.

Daniil Kvyat pode não ser o piloto que a STR sonha em ter para liderá-la a fim de que sua performance se aproxime mais da desenvolvida pela RBR, mas o russo tem experiência e, nessas circunstâncias, seria bastante útil à escuderia. Portanto, Gasly terá de mostrar agora não apenas velocidade com maturidade.

Projeto reestruturado

 
McLaren e STR brigaram diretamente por posições em Monza (Foto: Getty Images)McLaren e STR brigaram diretamente por posições em Monza (Foto: Getty Images)

McLaren e STR brigaram diretamente por posições em Monza (Foto: Getty Images)

Há um aspecto nesse episódio envolvendo McLaren-Honda-Renault-STR não abordado. Ainda que haja grande descrédito no trabalho da Honda nessa fase de tecnologia híbrida sofisticada na F1, o grupo que está projetando a versão da PU de 2018 é bem distinto do que concebeu a dos três anos da montadora, agora, na F1.

A empresa com sede na Inglaterra Ilmor, do experiente engenheiro suíço Mario Illien, foi contratada, bem como técnicos que deixaram a Mercedes. A PU Honda de 2018 representa um produto novo. Não há dúvida de que Horner e Marko estão de olho no que vai acontecer na STR-Honda, como tudo indica. Por quê? Caso a Honda dê uma guinada de curso na F1, não impossível com a nova estrutura técnica, pode interessar até mesmo a RBR.

 

Vale lembrar que em 2021, ou quem sabe já em 2020, o regulamento da PU será bem distinto. Tudo está sendo simplificado e barateado. Montadoras como a Porsche já demonstraram interesse em produzir a sua PU para a F1. Essa nova realidade pode relançar a Honda como uma empresa de excelência na F1, como já foi com a Williams e Nelson Piquet, campeões em 1987, e a própria McLaren, de 1988 a 1992, ao conquistar os títulos de 1988, 1990 e 1991 com Ayrton Senna e 1989, Alain Prost.

Em relação ao GP de Cingapura, onde vários anúncios são esperados, os treinos livres começam sexta-feira às 5h30, horário de Brasília.

 
Horários - GP de Cingapura (Foto: Infoesporte)Horários - GP de Cingapura (Foto: Infoesporte)

Horários - GP de Cingapura (Foto: Infoesporte)


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