Cuiabá (MT), 25 de setembro de 2017 - 10:59

Cuiabá
Carregando...

? ºC

/
Banner cuiaba humanizado 468x60  1
Banner gov mt em acao 468x60  1

Cultura

08/09/2017 16:27

Universitárias se desdobram para conciliar estudos com a maternidade

Todas as manhãs a estudante de Letras Dilma Rodrigues, de 30 anos, empurra o carrinho com o filho pelos corredores do Instituto de Linguagens na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). João Batista, de 11 meses, está praticamente "se formando" com a mãe, pois Dilma não conseguiu vaga em uma creche pública para ele e, como está desempregada, não tem condições de pagar pelo serviço.

“Teria que pagar no mínimo R$ 350 em uma creche particular, o que é muito caro para mim. Como faço Letras, me ofereci para trabalhar em troca da mensalidade, mas ainda não me deram resposta”, disse a estudante.

Não muito distante do Instituto de Linguagens, a mestranda em Serviço Social Luara Caiana, de 28 anos, também enfrenta os desafios de conciliar a vida de universitária e a maternidade. A jovem, que é mãe de Caetano, de dois anos, descobriu a gravidez quando estava no sétimo semestre do curso na UFMT.

A mestranda tentou esconder a gravidez o máximo que pode, pois não estava em um relacionamento com o pai da criança e tinha medo dos julgamentos que viria a sofrer. Ela contou que muitos professores e colegas dispararam indiretas à ela. Ouviu, por exemplo, que era irresponsável e que não teria condições de fazer o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

“Ninguém queria me orientar. Achavam que eu não daria conta. Consegui uma orientadora no último minuto antes da qualificação”, contou.

A vida delas teve uma reviravolta repentina por causa da maternidade, mas, de acordo com Dilma, resistir às dificuldades e continuar na batalha pelo diploma significa mais chances de ter uma vida mais confortável no futuro.

“Tinha muito medo de não conseguir, mas estudar é uma necessidade para entrar no mercado de trabalho. No ano que vem, tenho esperanças de conseguir pagar alguém para cuidar dele”, disse.

 

Depois da formatura, Luara tinha um diploma e uma gravidez. “Quem daria emprego para uma mulher nessa situação?”, avaliou ela. A jovem, então, entrou em um processo de buscas por oportunidades. Viajou por diversos estados tentando encontrar um lugar para se estabelecer.

“Fui para o Nordeste, onde o pai do meu filho mora, pensei que poderíamos nos apoiar, mas acabei presa em uma relação abusiva e agressiva. Depois, fui para o Pará, onde minha família mora e tive meu filho em Belém”, contou.

Depois de passar por Minas Gerais e São Paulo, ela voltou para Cuiabá e, com o apoio de colegas, fez a prova do mestrado na UFMT e foi aprovada.

 

SEM AUXÍLIO

A professora Rosa Albuquerque, coordenadora das políticas de ações afirmativas da UFMT, explicou que, atualmente, a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Prae) da instituição não possui um programa específico para mães universitárias. De acordo com ela, esse tema é algo que tem “instigado” a Pró-reitoria.

 

“Não sei se a proposta será de um auxílio-creche, ainda iremos decidir, mas antes é preciso fazer um levantamento para tomarmos conhecimento de quantas mães existem aqui. O que sabemos é que outras universidades já possuem programas específicos”, contou.

Porém, a Prae acolhe alunos em situação de vulnerabilidade. Segundo a coordenadora, existem mães que recebem auxílio da UFMT, após um processo de análise financeira.

Luara e Caetano vivem com a bolsa de R$ 1.600 que ela recebe por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Assim como Dilma, a jovem também não conseguiu auxílios ou uma vaga em creche pública, pois sua renda não é considerada nos padrões necessários e, também, não pode ser atendida pelos recursos da Prae.

“Quando tentei vaga, me disseram que não iriam matricular criança para a mãe ficar o dia todo na universidade. Muita gente fala: ‘ah, mas você só faz um mestrado’”, contou Luara.

 

De acordo com ela, o valor pago pela Capes não é o suficiente para manter uma casa, uma criança e os estudos. “Depois de pagar a cuidadora, comprar comida, fraldas, já foi uns R$ 700, ainda tenho que pagar aluguel e as contas da casa”, disse.

Para Dilma, a necessidade de uma creche para as mães universitárias é urgente e sempre existiu. Ela já cogitou procurar emprego em shoppings e lojas da cidade, mas as aulas e a falta de creche para o filho a impedem de assumir compromissos no momento.

 

PRECONCEITO

Luara contou que, assim que foi aprovada no mestrado, professoras começaram a questionar a possibilidade dela se dedicar à pesquisa e cuidar de um bebê ao mesmo tempo. Mesmo assim ela persistiu e ingressou no programa.

No primeiro dia de aula, quando Caetano tinha oito meses, a mestranda precisou levá-lo com ela para a sala, pois não tinha com quem deixá-lo.

“Ele gritou, fez uma barulhada e a professora disse que ali não era mais graduação e que não iria tolerar alunos trazendo o problema para a sala, eu sabia que a indireta era para mim”, lembrou.

A partir daquele momento, a mestranda decidiu não levar mais o filho para as aulas e pagar uma pessoa para cuidar dele. “Começaram a pegar no meu pé por conta dos atrasos, porque a casa que eu levava ele era muito longe e eu perdia muito tempo de ônibus”, disse.

 
Luara leva o filho de bicicleta até a casa de cuidadora todos os dias antes de ir para a faculdade (Foto: Luara Caiana/ Arquivo pessoal)Luara leva o filho de bicicleta até a casa de cuidadora todos os dias antes de ir para a faculdade (Foto: Luara Caiana/ Arquivo pessoal)

Luara leva o filho de bicicleta até a casa de cuidadora todos os dias antes de ir para a faculdade (Foto: Luara Caiana/ Arquivo pessoal)

 

Então, Luara decidiu usar uma bicicleta para se locomover. Todos os dias ela sai do bairro Santa Cruz, em Cuiabá, onde mora, e leva Caetano até a casa da cuidadora, no bairro Jardim Universitário, na capital.

Segundo Dilma, os professores do curso de Letras são “humanos” e tolerantes com a situação que a estudante se encontra no momento. Ela lembra que apenas uma vez durante o curso passou por uma situação constrangedora dentro da sala de aula.

Uma aluna se incomodou com o choro de João Batista e fez uma reclamação ao professor. “Ele explicou para ela a minha situação e eu falei para ela que crianças choram mesmo, mas eu também tinha o direito de estudar, assim como ela”, lembrou.


Plenário Mato Grosso - Central de Notícias, aqui você é informado com *Credibilidade **Dinamismo ***Seriedade e ****Conceito

Plenário Mato Grosso

Rua João Bento, 592-A
Bairro Quilombo
Cuiabá - Mato Grosso

plenariomtcomercial@gmail.com

imprensaplenariomt@gmail.com

contato@plenariomt.com.br

Busca

Redes Sociais

1170x90
Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo