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Brasil

22/09/2017 14:28

Ministro da Defesa autoriza cerco do Exército à favela da Rocinha

ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou nesta sexta-feira (22) à GloboNews, em torno do meio-dia, que autorizou o Exército a fazer um cerco à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Mais tarde, em uma entrevista coletiva realizada no Palácio do Planalto, Jungmann confirmou o uso das Forças Armadas para reforçar operação policial na Rocinha e ressaltou à imprensa que, por volta das 15h30, 700 homens da Polícia do Exército irão se deslocar dos quartéis do Rio para o entorno da favela.

O governador fluminense Luiz Fernando Pezão e o secretário de Segurança Pública do estado, Roberto Sá, pediram nesta sexta ao Ministério da Defesa para que as Forças Armadas fossem enviadas à comunidade localizada na Zona Sul do Rio.

"Foi autorizada a operação do Exército e demais forças necessárias para que seja feito um cerco na Rocinha, liberando o policiamento para que ele possa subir e continuar o enfrentamento dos criminosos", anunciou Jungmann aos jornalistas no Palácio do Planalto.

"Estamos deslocando 700 homens da polícia do Exército, mas esse é o deslocamento inicial. É o pessoal que lá se encontra, nós não precisamos deslocar ninguém para lá. Nós temos, aproximadamente, um efetivo lá de 30 mil homens. Operacionalmente, pelo menos 10 mil homens podem chegar a ser mobilizados. Não estou aqui querendo dizer que haverá necessidade, não há", complementou.

Na manhã desta sexta, o ministro da Defesa se reuniu por cerca de uma hora e meia, em Brasília, com a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para tratar da crise de segurança pública no Rio de Janeiro.

Segundo a assessoria da Procuradoria Geral da República, Jungmann propôs a criação de uma força-tarefa com integrantes de vários órgãos para lidar com a criminalidade no estado. Ainda de acordo com relatos da assessoria da PGR, Raquel Dodge pediu que o ministro da Defesa formalizasse uma proposta, com a indicação do papel de cada órgão na força-tarefa.Depois do encontro com a procuradora, Jungmann se dirigiu ao Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente Michel Temer. Ao final da audiência, ele concedeu a entrevista coletiva confirmando o cerco do Exército à Rocinha.

Pedido do Rio

Roberto Sá afirmou que, desde o último domingo 17, quando a Rocinha foi invadida por criminosos ligados ao traficante Nem, as polícias civil e militar monitoram a situação na comunidade. Ele afirmou que somente nesta sexta-feira foi identificada a necessidade das Forças Armadas auxiliarem as polícias do estado por lá.

“Hoje, em razão do Batalhão de Choque ter tido um contato com grupos armados e isso ter gerado um confronto, houve uma instabilidade porque essa proximidade foi de tal forma que houve uma reação de pessoas ligadas aos criminosos da comunidade ali próximo ao asfalto”, disse o secretário.

O secretário destacou que o objetivo do auxílio militar é “liberar nossos policiais para aumentarmos a visibilidade, o monitoramento e o patrulhamento de outras áreas”.

O comandante da 1ª Divisão do Comando Militar do Leste, Mauro Sinott, reforçou a afirmativa de que o Exército vai apenas auxiliar as polícias e que o trabalho das tropas terá início ainda nesta tarde.

“Vamos auxiliar no cerco da região, no controle de trânsito e no controle do espaço aéreo a fim de liberar os contingentes da polícia para ações mais específicas de polícia”.

 

Ainda segundo o secretário Roberto Sá, a avaliação do governo era de que a situação na Rocinha estava em “aparente tranquilidade”, já que havia empenho de policiais militares e civis no policiamento da comunidade.

“Hoje nós avaliamos que a situação exigia escalar os recursos. Na nossa visão havia estabilidade”, ressaltou o secretário.

Ele enfatizou, também, que o uso das Forças Armadas nesta operação é pontual. “Não vamos empenhar todos os recursos o tempo todo. Isso é doutrina mundial. É uma cidade, um estado, que como outros no brasil tem episódios de violência”, disse.

 

Conflitos começaram no início da manhã

Logo cedo, o Batalhão de Choque da Polícia Militar fez um nova operação na região, a quinta em cinco dias. Desde as 9h30 desta sexta-feira, a favela enfrenta um intenso tiroteio entre policiais e criminosos. Traficantes fizeram disparos da área de mata da Rocinha contra policiais que cercavam a comunidade.

Também na manhã desta sexta, começou a ser montado no Centro Integrado de Comando e Controle, no Centro, um gabinete de crise para coordenar a operação.

O tiroteio entre traficantes e policiais foi relatado por moradores da favela em redes sociais e foi registrado em vídeos que circulam na internet. Segundo relatos, os criminosos tentaram fugir pelo Alto da Boa Vista, passando pela Vista Chinesa, um dos principais cartões postais da região.

 
 

Também na manhã desta sexta houve relatos de tiros em outras favelas do Rio de Janeiro, como o complexo de favelas do Alemão, Dona Marta, Vila Kennedy e Chapéu Mangueira. Uma criança foi baleada na Fazendinha, favela do Complexo do Alemão.

 

Ruas fechadas na Rocinha

Por conta da operação policial na Rocinha, a autoestrada Lagoa-Barra foi fechada entre o Fashion Mall (desvio) e a Praça Sibelius na manhã desta sexta. A autoestrada é a principal ligação entre a Zona Sul e a Zona Oeste da cidade. O túnel Zuzu Angel também foi fechado em razão dos conflitos.

Durante o tiroteio, um ônibus da linha 538 foi incendiado na Estrada da Gávea. A informação é de que o ato foi criminoso, segundo o repórter Pedro Figueiredo, da TV Globo.

Quase 2,5 mil alunos da rede municipal de ensino ficaram sem aula na Rocinha na manhã desta sexta. São estudantes de duas creches, um espaço de desenvolvimento infantil e cinco escolas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, todas as cinco unidades de saúde da Rocinha foram fechadas e estão com o atendimento suspenso.

 
Locais do Rio com relatos de tiroteios nesta sexta (22) (Foto: Arte/G1)

Locais do Rio com relatos de tiroteios nesta sexta (22) (Foto: Arte/G1)


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