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Brasil

18/07/2017 10:45

G1 percorre BR-319 por 3 dias e mostra as histórias dos 'sobreviventes' da rodovia

Do G1 
 

Poeira, falta de escolas e problemas para escoar a produção agrícola são alguns dos problemas enfrentados diariamente por centenas de moradores e "sobreviventes" da BR-319, no Amazonas. Para conhecer como está a situação da via, o G1 percorreu 900 quilômetros, de Porto Velho até Manaus, durante três dias.

Alguns moradores afirmam, em entrevista, que preferem chamar a BR-319 de "rodovia assassina".

A expedição pela rodovia, que começou na terça-feira (11), ocorreu junto da Caravana de Jornalistas. O objetivo da viagem, segundo o diretor das afiliadas da Rede Amazônica de Televisão, Antônio Campanari, era mostrar a realidade da rodovia, destacando o potencial econômico para o desenvolvimento da região e do Brasil.

"Aqui comemos poeira nesta época do ano. E o pior: quando não é pó, é barro. Sempre tem muita lama por causa da chuva ou muita poeira pela falta de asfalto", desabafa a dona de casa Maria do Carmo, de 38 anos.

Maria, que mora na comunidade de Realidade, às margens da BR-319, diz que a poeira é a principal reclamação dos moradores da comunidade, que tem como principal fonte de renda a agricultura.

A reportagem do G1 descobriu que a banana é o principal produto plantado na região, porém, por vezes não é vendido porque não há por onde enviar a fruta colhida para as capitais próximas.

Burocraticamente o produto não pode ir diretamente para Rondônia, pois a comunidade fica no Amazonas.

Porém, até o produto chegar a Manaus ou precisa ser colhido verde, ou é necessário que seja pago a mais, para prevenir os possíveis prejuízos adquiridos no caminho até a capital do Amazonas.

Edson Luis da Silva, agricultor, lamenta os prejuízos que ele e os colegas de trabalho têm tido.

"É difícil porque perde tudo: banana, mandioca. Tudo pra escoar pra Manaus e não tem como. A gente perde tudo na roça e dependemos disso pra sobreviver. Ela [BR] é importante demais porque é o único meio de saída que nós temos, não tem outro jeito", diz.

Conforme o vice-presidente da associação dos produtores de Realidade, Joacir Luis Grande, a revitalização da BR fará o giro econômico local aumentar.

"A BR é o único modo de escoamento dos nossos produtos. Temos muito prejuízos por isso e tem muita produção nas linhas vicinais, que também precisam ser melhoradas. Só assim a renda e a qualidade de vida aumenta", declara

As crianças que moram nas comunidades às margens têm dificuldades para estudar, pois as escolas oferecem apenas o ensino fundamental, e para estudar as classes do ensino médio, é necessário andar mais de 100 quilômetros até a cidade mais próxima.

A Escola Duque de Caxias, em Igapó-Açu (AM), possui apenas o ensino fundamental 1, ou seja, vai apenas até o 6° ano.

Os alunos que conluem a antiga 5ª série, para continuar estudando, devem seguir até a cidade de Carero Castanho (AM), a cerca de 120 quilômetros, segundo o professor Angel Batista de Souza.

Por causa da balsa existente na localidade, o comércio possui lucro na época da seca, porém, durante o inverno amazônico o movimento diminui devido à falta de carros que passam pela BR.

"Com a BR assim, o comério fica mais parado por um tempo por causa da falta de movimento. Então é ruim pra gente. Seria bem melhor se ela fosse boa o tempo todo", diz o comerciante Fernando Santos.

Intrafegabilidade

Os motoristas que passam pela BR precisam dirigir com atenção redobrada, independente do veículo que estiver.

Jayson Gregório é um dos que tiveram prejuízo ao passar pela 319. Na volta de Manaus, após sair da cidade de Careiro Castanho (AM), teve problemas com o carro por causa dos buracos e da poeira.

"Meu carro quebrou por más condições da estrada. Furaram dois pneus e deu problema no motor. Fui guinchado por quase 100 quilômetros. Estou voltando de Manaus e minha dica é que levem no mínimo dois estepes e é muito importante andar em grupo, porque se eu tivesse sozinho e se não fosse meu companheiro, eu tava na estrada agora", afirma.

O jovem conta ainda que saiu de Rolim de Moura (RO) e foi de ônibus, mas no ao entrar na 319 teve que trocar de ônibus por duas vezes, pois os mesmos quebraram.

"Estamos voltando em 4 pessoas em três carros para se ajudar. Quando fomos de ônibus, tivemos que trocar duas vezes porque os dois ônibus quebraram. Uma moça da região que nos socorreu e deu almoço. Nessa estrada não dá pra andar não", desabafa.

Conforme o motorista Geldeon Deiró, que faz a rota em um ônibus particular, a falta de condições da pista dificulta o atrabalho, atrasa a viagem e leva risco aos motoristas.

"Por causa da buraqueira, os veículos danificam e precisamos muito da reconstrução desta BR, pra que a gente possa andar com segurança. Sabemos a hora que saímos mas não sabemos a hora que vamos chegar", lamenta.

Um trajeto que poderia ser feito em até 12 horas em uma pista boa é finalizado somente um dia após a partida, conforme os trabalhadores que fazem o trajeto de ônibus.

Peso na pista

Em 2016 o Dnit estipulou que a carga máxima que pode ser carregada pela BR-319 é de 23 toneladas, entretanto, durante a expedição foi possível visualizar caminhões bitrens carregados de diversos produtos passando pelo local.

Conforme os moradores da região, não há fiscalização e, por isso, os caminhoneiros costumam passar com carga excessiva.

"Moro aqui em Realidade e tem caminhão quequando passa, a casa treme, e olha que nem moro assim tão pertinho da BR. Os policiais deviam vir fiscalizar isso. Nessa época então, que é a da seca, não aguentamos a poeira de tanto que aumenta por causa da estrada ruim e dos caminhões que passam sempre e ainda pioram a estrada", reclama Maria do Carmo.


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