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21/08/2017 09:27

Quando nasce uma mãe, nasce uma culpa

Thaís Petroff

 

Dizem que quando nasce uma mãe, nasce a culpa. Consegui compreender essa expressão em profundidade quando me tornei mãe. Ser mãe e sentir-se culpada caminham de mãos dadas. A culpa consegue encontrar as mais diversas frestas para se instalar.

Para algumas mães aparece por não ter conseguido amamentar o quanto queria, para outras a culpa é por ter feito cesárea, a culpa também vem por que o bebê caiu do berço ou por que a criança caiu da cama que ainda estava sem grade; culpa por ter se trancado no banheiro por um minuto para ter um pouco de sossego e conseguir fazer um xixi sem alguém grudado na perna, também por ter gritado ou por ter colocado de castigo ou ainda por ter dado algumas batatas fritas no restaurante só pra conseguir engolir a comida com um pouco mais de tranquilidade. Enfim, a culpa ronda o tempo todo e parece que não há como se livrar dela.

Por mais que nos esforcemos e nos desdobremos para fazermos o nosso melhor, ainda assim sempre há algo que na nossa percepção não saiu como deveria.

Recentemente uma mãe escreveu um texto no Facebook expondo como se sentia com relação à maternidade e o quanto para ela estava muito distante de ser mil alegrias. Foi alvo de inúmeras críticas. Como pode então uma mãe conviver com tantas perdas, dores e dissabores que estão contidos na maternidade, se ela não pode ser verdadeira com seus sentimentos? Não é à toa que a culpa aparece a todo momento; como uma forma de calar toda e qualquer manifestação que não seja ficar o tempo todo pajeando o bebê ou a criança.

Sim! Bebês e crianças precisam de cuidado - e MUITO! - e não é à toa que são tão bonitinhos e cativantes (como uma sábia maneira que a natureza encontrou de nos "enfeitiçar"), mas é justamente pela constante e rígida atenção que eles nos exigem, que as mães PRECISAM conseguir respirar com mais leveza e viver com menos culpa.

É normal sentir raiva do seu filho.

É normal querer fugir dele e ficar só.

É normal querer fazer coisas sem ele.

É normal não querer mais amamentar.

É normal querer ficar com o marido ou namorado sozinha.

É normal querer dormir até mais tarde sem um choro que te acorde.

É normal querer viajar sem o filho. Sim!

Tudo isso e mais outras tantas coisas são perfeitamente normais e não fazem de você uma mãe ruim, relapsa ou rejeitadora por ter esses desejos ou comportamentos.

Viramos mães, mas não deixamos de ser esposas/namoradas, profissionais, amigas, amantes, etc. No entanto, a maternidade chega como um furacão e de repente parece que nada mais passa a ter espaço em nossas vidas e aí vem o luto, a tristeza, a falta da vida de antes, associada com um pequeno ser tão maravilhoso e amado que não te deixa um só minuto.

Faz sentido agora a confusão emocional diante desse turbilhão de informações?

Para lidar melhor com esse momento (que na verdade será eterno, porque jamais deixaremos de ser mães), poder conversar e realmente se abrir em ambientes sem julgamento é uma das melhores estratégias.

Desde grupos de mães (presenciais ou online), até encontrar uma psicoterapeuta na qual você confie, e que realmente seja ética, irão te auxiliar a revisitar todas essas questões que te trazem tanta culpa e poder.

E finalmente, assumir que sim, você ama seu bebê/filho(a) e que junto com isso você também sente falta de tantas e tantas coisas na sua vida, principalmente da sua liberdade (de tempo, de expressão, de não ter tanta responsabilidade). 

Thaís Petroff é formada em Psicologia pela PUC-SP e é Master Coach. Utiliza a Terapia Cognitivo Comportamental como base do seu trabalho, mas sabendo da profundidade e complexidade do ser humano, fez formação em Bioenergética, Programação Neurolinguística e Yoga se focando em auxiliar as pessoas a desenvolver e manter emoções mais equilibradas e saudáveis.


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